terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Languidez

Quanta raiva desse espírito frágil
Dessa fragilidade (feminina?)
Dessa fraqueza mórbida
Do sorriso flácido
Da lágrima inútil
Dos olhos ignorantes
Dessa preguiça estúpida diante da vida

Brilho

Tenho um brilho insistente nos olhos
Nada até agora conseguiu embaçar
Dores, mágoas, tantas dores e mágoas
E nada conseguiu embaçar

Um dia pensei que havia perdido
O tal brilho nos olhos
Mas encontrei alguém que me disse:
Que olhos brilhantes!

Por vezes penso:
Não há mérito nem culpa
No brilho dos meus olhos
Apenas brilha o meu olhar

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Canção de ninar

Eis aqui uma canção com que minha mãe me ninava, na década de 60. Da letra, que assim como a melodia eu guardei para sempre na memória, não achei qualquer referência no Google. De quem será? Resolvi então registrá-la aqui sob o medo de um dia esquecê-la:

Vou construir lá na serra
P'ra com você morar
Uma casinha singela
Bem perto de um pomar

Lá nos seremos felizes
Se Deus quiser, eu bem sei
Lá hei de ver realizado
O sonho que eu sonhei

Quando a madrugada lá na serra raia
E a passarada lá no seu se vai
Não há paisagem mais bela e querida
Para alegrar nossa vida

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Uma esperança matemática

Perdi o sentido da vida.
Não sei em qual esquina.
Balcão de loja.
Banco de ônibus.
Carro dos outros.
Não me lembro onde nem quando.
Sem pistas.
Sem chances de reencontrá-lo.
A não ser por acaso.
Resta sempre uma probabilidade.
Uma esperança matemática.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ciao

Quando estou com alguém ou com muitas pessoas, bebo e falo e muito.
Sozinha, bebo e escrevo, muito.
Escrevo, na maior parte do tempo, só nos pensamentos.
Surgem na solidão interior conclusões incríveis, poemas devastadores, frases concatenadas em ritmo frenético, tudo irregistrável, tudo perfeitamente esquecível.
Fantástica e inútil tamanha produtividade idiota da mente.
Desperdiçada a função intelectual sei lá se mais pela preguiça do que pela timidez temerosa (ou convicta?) de que nada em meio a tantos pensamentos valha ao menos um vintém furado.
Eis que num lampejo estúpido, copo e meio de vinho depois, noite solitária de lua cheia, escrevo.
Sei lá se vale a pena.
Provavelmente não.
Mas algo me diz que só a vocação suicida explica a besteira de derramar palavras neste blog inglório, tamanha idiotice solitária.
Risos estúpidos...
Fui.